Pequenas Histórias

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24 de junho de 2011

Coisas Inesperadas

Passaram apenas três dias desde que nos beijámos e assumimos aquilo que sentíamos um pelo o outro, e eu estava em casa a fazer o jantar, quando me telefonaste a convidar para ir a um concerto contigo.
Combináramos que me irias buscar a casa no Sábado pelas 21 horas e, à hora combinada, estava eu a sair para a rua.
Fomos até ao Pavilhão Atlântico e, com delicadeza, colocaste-me uma venda nos olhos. Muito divertida e curiosa perguntei-te para que era aquilo.
-Shh! Não faças perguntas. Em breve saberás. - respondeste.
Conduziste-me até ao interior do Pavilhão Atlântico e, de repente, comecei a ouvir gritos, assobios e aplausos.
Tiraste-me a venda e, quando dei por mim, estava no meio do palco com uma multidão à minha frente observando-nos atentamente.
Um ecrã enorme, que se encontrava à nossa retaguarda, transmitia àquela multidão as nossas imagens. E num pequeno instante uma melodia começou-se a fazer ouvir. Aquela melodia era-me familiar, já a tinha ouvido anteriormente.
Para minha surpresa, surge no palco a minha banda favorita, os Xutos&Pontapés, que se dirigiram a nós para nos cumprimentar.
Eu estava um pouco atónita com o que estava a acontecer, não sabia ao certo o que se estava a passar, não sabia se estava feliz ou aterrorizada. Todos os meus pensamentos foram interrompidos pela música que se fazia ouvir cada vez mais e se tornava cada vez mais clara.
Algo me dizia que aquela noite seria prometedora.
Atiraste-me um microfone para as mãos e pegaste noutro. Começaste a cantar. Agora lembrava-me, era a canção que havíamos composto juntos em tempos. Eu acompanhei-te animadamente, mas interrogava-me sobre o motivo daquela banda se encontrar ali.
Quando terminámos, sem haver qualquer pausa, os Xutos começaram a tocar a minha música preferida deles, "Circo de Feras", mas quando chegaram ao refrão pararam repentinamente.
Bem, se eu já não sabia o que estava ali a fazer em cima do palco, por que ainda lá estava e o que era aquilo, juntou-se mais uma pergunta à minha consciência "Por que motivo pararam a música?".
Nesse momento, ajoelhaste-te à minha frente e eu comecei a ficar nervosa e envergonhada. Voltaste a pegar no microfone, pegaste-me na mão e declaraste todo o teu amor por mim, pedindo-me em namoro, ali em frente a toda aquela gente. Eu estava muito envergonhada com o que estava a acontecer, nunca pensei ser pedida em namoro em frente de tanta gente e muito menos que alguma vez o fizesses, afinal de contas dar nas vistas não é o nosso lado.
Todos aguardavam ansiosamente pela minha resposta e eu, apanhada de surpresa, fiquei sem saber o que responder. Era certo que queria namorar contigo, amava-te e disso não tinha dúvidas, mas em frente de tanta gente tornara-se difícil responder.
Comecei a lutar comigo própria para voltar à realidade, soltei um suspiro e disse que sim. Toda a multidão saltou de alegria e tu enfrentaste-me com um beijo de pura felicidade.
Fomos felicitados pela banda que logo de seguida continuaram com a música interrompida para aquele momento.
Tudo aquilo me parecia um sonho: teres-me levado a um concerto daquela banda, pedires-me em namoro em pleno palco e ainda actuarmos os dois juntos...
Mas ainda hoje guardo uma recordação desse dia, aquela fotografia que tirámos no final com a banda que foi posteriormente autografada por todos os membros.

11 de maio de 2011

Alma

Oh alma minha
Que por ele suspira,
Por que aumentas o desejo
Se ninguém o sustenta?
Cresce em ti a loucura
De consumir obra divina,
Tentadora e irresistível
Que me faz cair em pecado.
Esses teus pensamentos,
Saciados de prazer,
Levam-me ao fogo do inferno
Sem ninguém saber.
Só desejo a sua pele provar,
O seu respirar sentir,
O seu coração tocar
E com os corpos unidos
Até ao céu voar.
Ai alma minha
Que por ele anseia,
A ele deseja e não pode tocar.

13 de março de 2011

Estrada da Vida

Vi pessoas passar
Sorrisos despertarem;
Vi pessoas sair
E lágrimas caírem.

O meu rosto molhado
Tu vieste iluminar;
O meu coração magoado
Conseguiste despertar.

Por fim questiono:
O que está o Futuro a reservar?

25 de fevereiro de 2011

Tenho Medo

Tenho medo do que possa acontecer.
Medo do que eu possa sentir,
De voltar a magoar-me.

Tenho medo de me apaixonar,
Da tua amizade perder,
De não te poder tocar.

Tenho medo que te afastes,
De o teu olhar deixar de ver,
Da tua respiração deixar de sentir.

Tenho medo de um abraço te dar,
De um simples gesto fazer,
De ter o coração a palpitar
Por quem não quer saber.

21 de fevereiro de 2011

Obrigada

Obrigada por tudo:
Os sorrisos,
A confiança,
Os abraços
E a paciência.

Obrigada por seres assim,
Quem e como és:
Querido e simpático,
Único e insubstituível.

Obrigada por seres importante,
Por seres o meu Melhor Amigo.

19 de fevereiro de 2011

Alma Vagueante

Gostava de dizer o que sou
Mas na verdade não posso definir.
Não sei para onde vou,
Mas tenho de partir
Com toda a alma e naturalidade,
Espalhando a minha felicidade.

Sou alma que vagueia
Sem saber de onde sou;
Num corpo de rapariga alheia,
Nem sei para onde vou.

21 de janeiro de 2011

Esperei por Ti

Definiste os teus objectivos, criaste os teus sonhos e apaixonaste-te. Tentaste lutar pelo sonho enquanto estavas comigo, contudo a vida jogou contigo: abriu-te dois caminhos e só poderias escolher um deles. Ou seguias o teu sonho, ou ficavas com a tua namorada. A escolha era somente tua.
O pânico do momento apoderou-se de ti. Não sabias o que fazer. Por um lado, o teu sonho, aquilo que querias para a tua vida e por que lutaste; por outro, a tua namorada, a pessoa que amavas perdidamente, que todos os dias beijavas com ternura e simplicidade.
Escolheste seguir o teu sonho, deixando-me para trás. A mágoa obrigou-nos a seguir as nossas estradas um sem o outro e agora que perdeste, tropeçaste naquela pedra que te fez cair e percebeste que afinal não eras feliz. Quiseste voltar atrás, mas não sabias como me encontrar. Com o passar do tempo, e para aliviar a nossa dor, perdemos o contacto entre nós. Pensaste que talvez já tivesse outra pessoa na minha vida, mas mesmo assim quiseste procurar-me, precisavas de me ver.
O destino assim o quis e os nossos caminhos voltaram a cruzar-se. Encontraste-me e, para tua surpresa, eu continuava sozinha, mais ninguém entrara na minha vida. Pensaste que tudo seria como antes: chegavas e eu corria para os teus braços como se nada tivesse acontecido. Estavas enganado. Desde que me havias deixado que a minha vida mudara imenso. A tua escolha tinha-me magoado e eu fora obrigada a começar de novo.
Cabisbaixo, aproximaste-te e pediste-me perdão. Eu sorri ao ver tal gesto que nunca esperaria ver da tua parte, então aproximei-me de ti, peguei-te na mão, levantei a tua face e beijei-te ternamente. Apesar de tudo o que acontecera, nunca deixei de te amar e dificilmente algum dia isso aconteceria, pois foste a melhor coisa que me aconteceu e não foi por acaso que eu disse que esperaria por ti o tempo que fosse preciso: minutos, horas, dias, semanas, meses, anos...

15 de janeiro de 2011

Beira-Mar

Estava sentada na esplanada aguardando a tua chegada. O sol brilhava no céu trazendo um pouco de calor aos pálidos do frio, os pássaros cantarolavam alegremente e uma leve brisa tocava nos rostos da gente distraída que passava diante de mim.
Já tinha bebido um café e, por mais estranho que parecesse, não me sentia nervosa como era habitual sempre que me preparava para estar contigo, pelo contrário, encontrava-me calma, serena e muito feliz. Talvez este estado de felicidade se devesse à ideia de poder estar sozinha contigo, num ambiente descontraído e sem a presença de qualquer medo daquilo que poderia acontecer.
***
Saíste de casa com umas calças de ganga azul claras, uns ténis brancos e uma camisa branca com quadrados em vários tons de azul. Puseste um pouco daquele perfume maravilhoso, pegaste no telemóvel, nas chaves e na carteira e saíste de casa para ir ao meu encontro.
***
Não demoraste muito tempo até chegares junto a mim. Cumprimentei-te delicadamente com um beijo na face.
- Não te fiz esperar muito tempo, não? – perguntaste tu com o teu ar preocupado.
- Claro que não, eu cheguei há pouco. Queres tomar alguma coisa?
- Não, obrigado. Apenas quero falar contigo. Vamos dar uma volta?
- Claro.
Saímos da esplanada juntos e fomos para a beira-mar. Descalçámo-nos assim que chegámos ao areal e levámos os sapatos nas mãos.
Permanecemos algum tempo em silêncio, caminhando lentamente sobre a areia molhada. As ondas molhavam os nossos pés à medida que rebentavam e se estendiam sobre a areia.
- Querias falar comigo, mas até agora não disseste nada – disse eu um pouco envergonhada.
- Pois. Eu tenho reparado em tudo o que tens feito por e para mim, o esforço que tens feito para estar comigo, ou seja, reparei que não desistes mesmo de mim e o que é certo é que… - fizeste uma pausa, para escolher as palavras certas – eu estou a começar a gostar de ti. Quer dizer, eu já gostava de ti, mas apenas como amiga e agora as coisas mudaram, acho que o que sinto por ti é algo mais do que amizade.
Entretanto já havíamos parado de caminhar e encontrava-mo-nos sentados na areia. No horizonte o sol começara a descer e reflectia-se sobre o mar.
Após algum tempo a descodificar aquilo que acabaras de pronunciar, olhei-te nos olhos e perguntei:
- Estás a falar a sério? Isso é mesmo verdade?
- Sim, é verdade. Nunca falei tão a sério como agora – respondeste.
Posto isto, voltei a observar o horizonte e, sem esperar, senti-te a aproximar. Voltei o rosto na tua direcção e, aos poucos, as nossas faces, aproximaram-se e os nossos lábios tocaram-se.
Tudo me pareceu mágico: estar contigo, beijar-te, observarmos o pôr-do-sol juntos…
Só queria parar o tempo e permanecer contigo, tal como nos encontrávamos naquele momento: sentados na areia, com as cabeças encostadas uma à outra, os braços entrelaçados nas nossas costas, mantendo-nos juntos e a sorrir como quem acaba de experimentar o amor.

31 de dezembro de 2010

Manhãs Loucas

Já não aguentava aqueles enjoos mal me levantava da cama todas as manhãs. Eram incómodos e aparentemente não havia razão para os ter.
Dirigia-me até à cozinha, punha o café a fazer, colocava duas fatias de pão na torradeira, estrelava dois ovos, tirava a compota de morango para fora do armário e lá ia eu a correr para a casa de banho com outro enjoo.
Mais calma, regressava à cozinha, acabava de pôr a mesa para nós e ia acordar-te. Sempre tomámos o pequeno-almoço juntos desde que nos casámos.
Enquanto tiravas os pratos da mesa e arrumavas a cozinha, eu vestia-me e arranjava-me. Meia hora depois e ambos saíamos de casa para trabalhar, mas naquele dia foi diferente, levaste-me até à clínica, deixando-me à porta com um doce e ternurento beijo.
Felizmente a sala de espera estava vazia e eu fui logo a primeira a ser chamada.
Entrei e expliquei ao médico o que se sucedia. Ele preencheu a cardencial para que fosse fazer análises ao sangue que confirmassem as nossas suspeitas.
As análises foram feitas na própria clínica e não demorou muito até que o médico tivesse os resultados e voltasse a chamar-me. Ele confirmou: estava grávida.
Fiquei sem reacção, não sabia se havia de ficar feliz ou não, talvez isso se devesse à tua ausência num momento como aquele. O médico fez alguns cálculos e supôs que estivesse com 10 semanas de gestação, como tal quis fazer a primeira ecografia. Pediu-me que o seguisse até outra sala, onde fez a ecografia, a qual ficou gravada em DVD.
À saída tratei dos pagamentos e da marcação da próxima consulta.
Eram 12h45, era desnecessário dirigir-me até à galeria portanto, peguei no telemóvel e liguei-te. Disse-te para ires ter comigo àquele restaurante onde me tinhas pedido em casamento e, depois de desligar, dirigi-me para lá.
Aguardei a tua chegada um pouco impaciente, estava ansiosa por te dar a notícia.
Durante o caminho compraste-me um ramo de rosas vermelhas e, quando chegaste ao restaurante, colocaste-mas à frente. Dei-te um beijo e sentaste-te à minha frente. Aquele empregado simpático que adorava servir-nos sempre que lá íamos trouxe-nos os menus e ausentou-se. Enquanto escolhíamos o que almoçar, eu disse-te que já sabia o que se passava.
Colocaste o menu de lado e chamaste o empregado. Pedimos lombinhos de bacalhau gratinados, acompanhados de batatas assadas e regadas com um fio de azeite e com aquele molho de chocolate belga especial. Voltou a ausentar-se.
Mostraste-te curioso e preocupado em simultâneo, querias saber o que o médico tinha dito.
Comecei por dizer que tinha feito análises e que, segundo o médico, estava grávida de 10 semanas. Esperei uma reacção tua, mas só te vi pestanejar como se ainda estivesses a assimilar a informação que te dei. Continuei a dizer-te tudo o que o médico dissera e, quando terminei, apenas te observei.
Por momentos pensei que fosses reagir mal à notícia, mas surpreendi-me ao ver-te sorrir de repente e levantares-te num salto gritando para todo o restaurante que ias ser pai. Fiquei envergonhada com isso, mas também não conseguia esconder o riso que me havias provocado com aquela reacção.
Mais tarde acabámos por pedir à gerência do restaurante uma cópia do vídeo de segurança onde aparecias tu com o teu grande salto. E foram muitas as vezes que nos sentámos os dois no sofá, bem agarradinhos, a ver o vídeo e a rir.

19 de dezembro de 2010

Declaração de Amor

As saudades apertavam cada vez mais. Um vazio se começava a sentir dentro do meu coração. Eu estava a perder o meu sentido, a minha essência, o meu aroma, a minha luz, o meu brilho.
Um dia voltei a encontrar-te e tudo o que eu havia perdido, voltei a recuperar num ápice.
Finalmente percebi, para quê evitar o inevitável? Era certo que contigo me sentia verdadeiramente feliz, esquecia o mundo e a minha atenção era toda tua, era enquanto estava contigo que me sentia preenchida.
Voltei a sorrir, transmitindo um dos meus sorrisos mais genuínos, e no meu olhar surgira agora aquele brilho resplandecente.
Mal eu sabia o que me esperava. Aquele grande desafio que me pôs à prova: declarar-te o que sentia por ti.
O pânico surgiu na minha face, era bem visível a qualquer pessoa. Todo o meu corpo tremia e o medo começava a aparecer.
O que havia de fazer agora? Enfrentar-te e declarar-me, mesmo colocando a hipótese que tal coisa não daria bom resultado? Negar esse desafio e dar-me como derrotada? A escolha era difícil.
Se eu realmente te queria, então teria de lutar por ti, enfrentar todos os meus medos e mostrar que nunca se deve desistir.
Arranjei coragem e aproximei-e de ti. Mal conseguia enfrentar o teu olhar, mas começei a sussurrar:
- Desculpa, não sei se isto será o correcto, mas espero que compreendas que não posso desistir de ti.
Tu fitavas-me com o olhar.
Eu continuou:
- Conhece-mo-nos há 8 meses e, como sabes, eu gosto de ti. Ainda hoje sinto aquilo que senti no dia 5 de Junho de 2010, dia em que tive a certeza que te amava. Sei que para ti sou apenas uma amiga e que não gostas de mim da mesma maneira que eu gosto de ti, mas isso não me importa. A única coisa que importa é que tu és mais do que tudo para mim; és a pessoa mais importante que tenho na minha vida; és só tu que me fazes feliz; é quando recebo uma mensagem tua, quase todas as manhãs, que eu começo a sorrir de felicidade; é contigo que sonho quase todos os dias; é em ti que penso todos os dias; és tu que me inspiras; és tu que eu amo, mais do que alguma vez amei alguém e é a ti que irei continuar a amar. Não me peças para te esquecer, pois isso será impossível, mas também não te afastes, tal como fizeste até agora. É verdade que não vou desistir de ti, e sabes porquê? Quero mostrar-te que, quando te disse que gostava de ti, em Outubro, não era um "Gosto de ti, mas isto não dá em nada e vou desistir", mas sim um "Gosto imenso de ti, e não irei desistir facilmente". Afinal de contas sempre ouvi dizer que tentar não custa. É graças a isto que sinto por ti que finalmente percebi que já perdi coisas demais no passado por não lutar por elas, e tu és mais do que uma razão, mais do que um grande motivo que tenho para começar agora a lutar por aquilo que quero, pois aquilo que eu quero és só tu. Só quero estar contigo. Amo-te.
Eu terminei assim a minha declaração e envergonhada, sai sem ouvir o que tinhas a dizer.

Mágoa

Esquecida na ilusão
Alguém me abandonou,
Deixando-me na solidão
Como quem não amou.

Deixei de sorrir
Sem saber o que fazer.
Voltei a pedir-te
Que não me fizesse sofrer.

Fiquei magoada,
Mesmo sem quereres.
Saí da encruzilhada
E já não quero viver.

Tragédias não resolvem
Problemas de amor,
Estes não se dissolvem
Sem que haja dor.

Partiste à descoberta,
Algures por aí
Deixando-me perdida
Onde sempre permaneci.

1 de dezembro de 2010

Ansiosa

Há muito que ansiava por aquele dia. Já não te via há meses, desde que partiste para guerra. Todos os dias entrava em casa, estafada do trabalho, e sentava-me no sofá olhando para a tua fotografia horas a fio, até que me dava a fome e voltava à realidade.
Tinha de abandonar o sofá, pousar a fotografia e agarrar-me aos tachos e panelas. Fazia o jantar, limpava a louça, estendia a roupa, jantava e ainda me sobrava tempo para ler um pouco antes de me deitar.
A rotina foi sempre a mesma durante todo este tempo, até ao dia em que regressaste.
Eu aguardava ansiosamente a tua chegada, no aeroporto. A qualquer momento poderia ver-te surgir por aquela porta.
Os minutos pareciam anos, até que te vi. Atravessaste aquela porta com a tua mochila às costas e o teu ar descontraído de sempre. Corri para os teus braços, saltei para cima de ti, abracei-te, beijei-te... Finalmente tinha-te de volta.
Entrámos no carro e seguimos para casa. Ao entrares olhaste para cada canto com um brilho no olhar e eu observava-te deliciada.
Pousaste a mochila junto ao sofá e vieste ter comigo. Voltámos a beijar-nos e enquanto isso, caminhávamos para o quarto. Empurraste-me para cima da cama, com delicadeza, e continuaste a beijar-me. Começaste por me tirar a camisola e eu tirei a tua, aos poucos tirámos toda a roupa e fizemos amor.
Ter-te junto a mim era o que eu mais queria e naquele momento eras só meu e eu só tua. O mundo tinha parado para nós. Nada importava a não ser aquele momento mágico.

13 de novembro de 2010

Se tudo fosse como tu

Se tudo fosse como tu,
Nada seria perfeito;
Mas se não fosse como tu,
Nada teria o mesmo jeito.

Amou-te ou Ama-te?
Eis a questão.
Não sabendo porquê,
Em ti deixou o coração.
Seguiu o teu caminho
E perdeu-se no desconhecido.
Refugiou-se nos teus braços
E aí encontrou carinho.

Voltaste a sair,
Agora foi de vez.
Promessas eternas,
Carinhos talvez;
Tudo se esqueceu,
Tudo se perdeu.
Já não te está a amar,
Em ti não vai permanecer.
Não volta a pensar
Daqui ao anoitecer.

5 de outubro de 2010

Diz-me Mais Uma Vez

Diz-me só mais uma vez
Aquilo que em palavras silenciadas
Tu um dia me disseste.

Aquilo que sentes,
Revela em gritos mudos
Ao mundo que te conhece.

Não te podem afectar,
Nem sequer discriminar.

Mais uma vez,
Só com palavras silenciadas
E com gritos mudos,
Eu irei ouvir,
E talvez sentir,
O que me estás a transmitir.

4 de outubro de 2010

Voltar

Já era tarde, o céu estava escuro e ao fundo ouviam-se risos de gente animada depois do concerto, quando saímos daquele restaurante onde me levaste.
A noite correu muito bem ao teu lado, entre sorrisos e muitos risos, os nossos olhares tocaram-se. Vi em ti a vontade de avançar e a exitação por não saberes se eu te amava.
Descemos a rua, em silêncio, deixando para trás os risos. Passámos pelo jardim, parámos e disse-te que queria falar contigo sobre algo importante. Mostraste-te atento e muito concentrado, a esperança do que eu poderia dizer estava a crescer dentro de ti, preenchendo-te a alma.
Tentei dizer-te o quanto gosto de ti, mas as palavras escassearam.
Como não conseguia falar, tentei mostrar o que és para mim, mas o meu corpo congelou e os movimentos não se soltaram.
Passou imenso tempo, e tu aguardavas uma acção minha. A esperança que tinha visto crescer dentro de ti ia agora desvanecendo-se e senti a decepção instalar-se aos poucos. Viraste costas para ires embora e eu tentei agarrar-te para ficares comigo. Quando estava quase a perder-te, soltou-se uma única palavra da minha boca: um "Amo-te" mágico que te fez voltar atrás e observar-me.
Enchi-me de coragem e voltei a repetir que te amava, que te desejava. Disse-te que não sabia como te havia de dizer isso, já devia ter dito há muito tempo, mas o sentimento era tão forte que quando tentava avançar não conseguia e...
Nem tempo tive de acabar de falar, agarraste-me a mão e puxaste-me de repente, unindo os teus lábios aos meus..
Tudo o que estava na minha cabeça, todos os pensamentos, todas as palavras desapareceram nesse momento. Ficámos ali, no meio da rua, unidos por um beijo, aquele que tinha sido desejado por ambos desde que nos conhecemos.